Sobre devaneios, divagações e universos pararelos

Sobre devaneios, divagações e universos pararelos

terça-feira, 23 de abril de 2013

Era uma menina que...




Muitas vezes sentia-se incompreendida e estranha por ainda não conhecer profundamente a si mesma, sendo assim não conseguia saber lidar com algumas situações e com as pessoas. Tinha uma mania de inferioridade que lhe impossibilitava de enxergar o seu próprio eu, e assim perdia-se, desencontrava-se, inquietava-se. Ficava remoendo coisas que independiam dela, as quais não poderiam ser como ela realmente quereria. No que dependia dela, fazia o que pensava ser o melhor - nem sempre o era. Sentia muita saudade daquilo que ainda não havia vivido e experimentado – e isso trazia um incômodo inexplicável. Enquanto o não vivido não se materializava e tornava-se de certo modo palpável, ia utilizando sua imaginação para dispor de alguns instantes, onde fosse possível sentir-se bem consigo mesma – a leitura era uma ferramenta poderosa para tal, outra, o silêncio. Perguntava-se “o que está acontecendo comigo? Em qual esquina ficou presa minha subjetividade? Em qual parte do caminho me desconectei de mim mesma (se é que realmente em algum momento já havia se compreendido)?”. Era especialista em engolir o choro, engolir sapos e esconder os sentimentos – ou seria não saber como demonstrá-los?.  Os espaços não preenchidos e as faltas que havia em sua vida iam podando seus sentimentos, tornando-a mais quieta, mais fechada e menos receptível.  Pedaços de memórias foram se perdendo ao longo do tempo – se perderam ou nem sequer foram vividos? Ela não sabia responder.  Esperar nunca foi uma das suas melhores qualidades, mas esperar é preciso, pois não somos nós que escolhemos o melhor tempo das coisas acontecerem, se endireitarem. Estamos em eterno processo de feitura, nunca estaremos completamente prontos, somos seres inacabados, assim, pois, passíveis de metamorfoses. Sua vida parecia sem sentido e infeliz, porém existia uma força dentro dela, uma força e uma vontade inexplicável que a faziam seguir, manter um sorriso nos lábios - tentando transplanta-lo também para a alma. E continuar seus passos cansados, apesar dos entraves que encontrava pelo caminho.  Não parava, sabia e sentia que as coisas melhorariam, pois existia uma palavrinha que era a mola propulsora para seu caminhar. A palavra ACREDITAR. Acreditava na sua capacidade.  Acreditava em um Deus que jamais deixaria de amá-la. Acreditava no poder da sua fé.  Acreditava também no amor, em anjos e em fadas.


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